HOME PAGE |  HOME PAGE-PORT  | ARCHIVIO RIVISTA MARIA AUS. |  ADMA-ON-LINE INFO VALDOCCO 

 
Via Maria Ausiliatrice 32 - 10152 Torino-Valdocco / E-Mail: pcameroni@salesiani.it  ADMA Valdocco: adma.torino@tiscali.it  

ADMA | ASSOCIAÇÃO DE MARIA AUXILIADORA

"Não há com certeza, nada mais belo
do que encontrar e comunicar Cristo a todos!"

Em resposta ao convite do Reitor-Mor dirigido a toda a Família Salesiana para agir como um verdadeiro movimento de discípulos de Jesus e para empenhar-se na evangelização dos jovens, também nós, como ADMA, queremos assumir o desafio de ajudar os jovens "a olhar os outros, não mais somente com os próprios olhos e com os próprios sentimentos, mas segundo a perspectiva de Jesus Cristo".

Como sinal concreto de sintonia com este compromisso, propomos um instrumento de formação em 10 fichas que seguindo o magistério do Santo Padre o Papa Bento XVI, desejam ajudar os grupos da ADMA a aprofundarem alguns conteúdos- chave da evangelização.

A intenção é a de aprofundar, com uma adequada reflexão, o repensar da pastoral, de modo que resultem operantes, as escolhas referentes ao centro da proposta de Jesus Cristo, o testemunho pessoal e comunitário, o aporte recíproco de educação e evangelização, a atenção à diversidade dos contextos, o co-envolvimento das famílias.

Disto poderão nascer modalidades concretas para se fazer experiências de evangelização dos jovens e com os jovens.

O itinerário proposto desenvolve os seguintes temas:

1. Homens novos: um novo modo de pensar
2. Homens novos maturos na fé e que agem segundo a verdade.
3. A Trindade (1) mistério de amor "impresso" e que se comunica. Maria inserida naquele amor.
4. A Trindade (2) amor que é misericórdia. Maria, caminho para se encontrar a misericórdia.
5. Ver através dos olhos de Cristo para salvar as almas.
6. Salvação da Igreja: não me salvo sozinho, mas no povo de Deus.
7. Igreja: co-responsabilidade leigos-consagrados. Valor da escuta da Palavra de Deus, da Eucaristia que se faz comunhão, da missão como testemunho da caridade.
8. Dom Bosco: único "estímulo" salvar as almas. Educar com esperança.
9. Educar: transmitir a fé. Deus volta ao centro.
10. "Anúncie a Palavra. Insista no momento oportuno e não oportuno."

Certos de oferecer um instrumento solicitado e que fará crescer a comunhão na fé e no compromisso de evangelização entre todos os grupos da Associação, em unidade, sob o manto de Maria Auxiliadora e Rainha.

                                                Pe. Pier Luigi Cameroni e Conselho da ADMA Primária                                                                 Turim-Valdocco, 22 de agosto de 2009.


1 - EM CRISTO, HOMENS NOVOS


PALAVRA DE DEUS

Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito (Rm.12, 1-2).

MAGISTÉRIO DE BENTO XVI

1-NÚCLEO ESSENCIAL DA VIDA CRISTÃ: EM JESUS SE REALIZA O VERDADEIRO CULTO AGRADÁVEL A DEUS
Faz parte da estrutura das Cartas de Paulo - sempre em referência ao lugar e à situação particular - a explicação do mistério de Cristo e o ensinamento da fé. Numa segunda parte, segue-se a aplicação à nossa vida: o que deriva desta fé? Como plasma ela a nossa existência no dia-a-dia? Na Carta aos Romanos, esta segunda parte começa com o capítulo 12, em cujos primeiros dois versículos o Apóstolo resume imediatamente o núcleo essencial da existência cristã. Que nos diz São Paulo nesse trecho? Em primeiro lugar afirma, como algo fundamental, que com Cristo teve início um novo modo de venerar a Deus - um novo culto. Ele consiste no facto de que o homem vivo se torna ele mesmo adoração, "sacrifício" já no seu próprio corpo. Já não se oferecem a Deus coisas. É a nossa própria existência que deve tornar-se louvor a Deus.

2-ENCONTRANDO JESUS CRISTO, CONVERTENDO-NOS A ELE, TORNAR-NOS-EMOS HOMENS NOVOS
Mas como acontece isto? A resposta é-nos dada no segundo versículo: "Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação do vosso modo de pensar, a fim de conhecerdes a vontade de Deus..." (12, 2). As duas palavras decisivas deste versículo são: "transformar" e "renovar". Devemos tornar-nos homens novos, transformados num novo modo de existência. O mundo está sempre em busca de novidades, porque com razão se sente sempre insatisfeito com a realidade concreta. Paulo diz-nos: o mundo não pode ser renovado sem homens novos. Somente se houver homens novos, haverá também um mundo novo, um mundo renovado e melhor. No início está a renovação do homem. Isto vale também para cada indivíduo. Só se nós mesmos nos renovarmos, o mundo será novo. Isto significa inclusive que não basta adaptar-se à situação actual. O Apóstolo exorta-nos a um não-conformismo. Na nossa Carta diz-se: não vos submetais ao esquema da época actual. Deveremos voltar a este ponto, refectindo sobre o segundo texto que esta tarde quero meditar convosco. O "não" do Apóstolo é claro e também convincente para quem observa o "esquema" do nosso mundo. Mas tornar-se novos - como se pode fazer isto? Somos verdadeiramente capazes? Com a palavra acerca do tornar-se novos, Paulo alude à sua própria conversão: ao seu encontro com Cristo ressuscitado, encontro de que na segunda Carta aos Coríntios diz: "Se alguém está em Cristo, é uma nova criação: passou o que era velho; eis que tudo se fez novo" (5, 17). Este encontro com Cristo era tão extraordinário para ele, que a este propósito diz: "Estou morto" (Gl 2, 19; cf. Rm 6). Ele tornou-se novo, outra pessoa, porque já não vive para si mesmo e em virtude de si próprio, mas para e em Cristo. Porém, ao longo dos anos viu também que este processo de renovação e de transformação continua durante a vida inteira. Tornar-nos-emos novos, se nos deixarmos arrebatar e plasmar pelo Homem novo, Jesus Cristo. Ele é o Homem novo por excelência. Nele a nova criatura humana tornou-se realidade, e nós poderemos verdadeiramente tornar-nos novos, se nos entregarmos nas suas mãos e nos deixarmos plasmar por Ele.

3-A CONVERSÃO RADICAL É AQUELA DO PENSAMENTO, É TERMOS EM NÓS, O "PENSAMENTO DE CRISTO", PARA CUMPRIRMOS A VONTADE DE DEUS
Paulo torna ainda mais claro este processo de "nova fusão", dizendo que nos tornamos novos se transformarmos o nosso modo de pensar. Aquilo que traduzimos como "modo de pensar" é o termo grego "nous". É uma palavra complexa. Pode ser traduzida com "espírito", "sentimentos", "razão" e, precisamente, também com "modo de pensar". A nossa razão deve renovar-se. Isto surpreende-nos. Desejaríamos talvez que se referisse antes a alguma atitude: àquilo que temos de mudar no nosso agir. mas não: a renovação deve ir até ao fundo. O nosso modo de ver o mundo, de compreender a realidade - todo o nosso pensar deve transformar-se a partir do seu fundamento. O pensamento do homem velho, o modo de pensar comum geralmente está orientado para a posse, o bem-estar, a influência, o sucesso, a fama e assim por diante. Mas deste modo tem um alcance muito limitado. Assim, em última análise, o centro do mundo permanece o próprio "eu". Temos que aprender a pensar de maneira mais profunda. Que significa isto? Na segunda parte da frase, São Paulo diz o que isto significa: é necessário aprender a compreender a vontade de Deus, de tal maneira que ela plasme a nossa vontade. A fim de que nós mesmos desejemos o que Deus quer, para que reconheçamos que o que Deus quer é a beleza e a bondade. Por conseguinte, trata-se de uma mudança na nossa orientação espiritual de base. Deus deve entrar no horizonte do nosso pensamento: o que Ele quer e o modo segundo o qual Ele idealizou o mundo e a mim mesmo. Temos que aprender a participar no pensamento e no desejo de Jesus Cristo. É então que seremos homens novos nos quais sobressai um mundo novo.
(Da homilia de Bento XVI para o encerramento do ano paulino - Roma, 28 de junho de 2009.)

PERGUNTAS PARA A REFLEXÃO PESSOAL E EM GRUPO:

" No que consiste, para mim, o núcleo essencial da existência cristã?
" Quando encontrei Jesus Cristo na minha vida, ou melhor, quando Ele entrou em minha história?
" Quais as maneiras de pensar que não são segundo Jesus Cristo, em mim, na minha família e comunidade?
" Como Maria Auxiliadora nos ajuda para sermos homens novos e termos em nós, o pensamento e a vontade de Cristo?

2- MADUROS NA FÉ


PALAVRA DE DEUS

A uns Ele constituiu apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa a construção do corpo de Cristo, até que ponto tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo. Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores. Mas, pela prática sincera da caridade, cresçamos em todos os sentidos, naquele que é a cabeça, Cristo. É por Ele que todo o corpo, - coordenado e unido por conexões que estão ao seu dispor, trabalhando cada um conforme a atividade que lhe é própria, - efetua esse crescimento, visando sua plena edificação na caridade. Portanto, eis o que digo e conjuro no Senhor: não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê de suas idéias frívulas. Têm o entendimento obscurecido. Sua ignorância e o edurecimento de seu coração mantêm-nos afastados da vida de Deus. Indolentes, entregaram-se à dissolução, à prática apaixonada de toda espécie de impureza. Vós, porém, não foi para isto que vos tornastes discípulos de Cristo, se é que o ouvistes e dele aprendestes, como convém à verdade em Jesus. Renunciai à vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido pelas concupiscências enganadoras. Renovai sem cessar o sentimento da vossa alma, e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade. (Ef.4,11-24)

MAGISTÉRIO DE BENTO XVI

1. DA FÉ "SÓ MINHA, PARTICULAR" À FÉ DA IGREJA
O próprio pensamento de uma necessária renovação do nosso ser pessoas humanas, Paulo explicou-o ulteriormente em dois trechos da Carta aos Efésios, sobre os quais portanto agora queremos reflectir brevemente. No capítulo 4 da Carta, o Apóstolo diz-nos que com Cristo temos que atingir a idade adulta, uma fé madura. Não podemos mais permanecer como "meninos inconstantes, levados por qualquer vento de doutrina..." (4, 14). Paulo deseja que os cristãos tenham uma fé "responsável", uma "fé adulta". A expressão "fé adulta", nas últimas décadas, tornou-se um slogan difundido. Ouvimo-lo com frequência no sentido da atitude de quem já não dá ouvidos à Igreja e aos seus Pastores, mas escolhe autonomamente aquilo em que quer acreditar ou não portanto, uma fé "ad hoc". E é apresentada como "coragem" de se expressar contra o Magistério da Igreja. Na realidade, todavia, para isto não é necessária coragem, porque se pode ter sempre a certeza do aplauso público. Pelo contrário, é necessária coragem para aderir à fé da Igreja, não obstante ela contradiga o "esquema" do mundo contemporâneo. Este é o não-conformismo da fé ao qual Paulo chama uma "fé adulta". É a fé que ele quer. Por outro lado, qualifica como infantil o correr atrás dos ventos e das correntes do tempo. Assim faz parte da fé adulta, por exemplo, empenhar-se pela inviolabilidade da vida humana desde o primeiro momento, opondo-se assim de forma radical ao princípio da violência, precisamente também na defesa das criaturas humanas mais inermes. Faz parte da fé adulta reconhecer o matrimónio entre um homem e uma mulher para toda a vida, como ordenamento do Criador, restabelecido novamente por Cristo. A fé adulta não se deixa transportar aqui e ali por qualquer corrente. Ela opõe-se aos ventos da moda. Sabe que estes ventos não constituem o sopro do Espírito Santo; sabe que o Espírito de Deus se expressa e se manifesta na comunhão com Jesus Cristo.

2. UM NOVO MODO DE PENSAR: AGIR SEGUNDO A VERDADE NA CARIDADE , OLHANDO PARA CRISTO
No entanto, também aqui Paulo não se detém na negação, mas leva-nos ao grande "sim". Descreve a fé madura, verdadeiramente adulta, de maneira positiva com a expressão: "agir segundo a verdade na caridade" (cf. Ef 4, 15). O novo modo de pensar, que nos foi dado pela fé, verifica-se antes de tudo em relação à verdade. O poder do mal é a mentira. O poder da fé, o poder de Deus é a verdade. A verdade sobre o mundo e sobre nós mesmos torna-se visível, quando olhamos para Deus. E Deus torna-se-nos visível no rosto de Jesus Cristo. Olhando para Cristo, reconhecemos mais uma coisa: verdade e caridade são inseparáveis. Em Deus, ambas são inseparavelmente uma só coisa: a essência de Deus é precisamente esta. Por isso, para os cristãos verdade e caridade caminham juntas. A caridade é a prova da verdade. Sempre de novo, deveríamos ser medidos em conformidade com este critério, para que a verdade se torne caridade e a caridade nos torne verídicos.

3. O HOMEM INTERIOR SE FORTALECE MEDIANTE UMA RAZÃO ILUMINADA PELO CORAÇÃO
Paulo evidencia-nos a mesma coisa a partir de outro ponto de vista. No capítulo 3 da Carta aos Efésios ele fala-nos da necessidade de ser "fortalecidos no homem interior" (cf. 3, 16). Assim, retoma um tema que antes, numa situação de tribulação, já tinha abordado na segunda Carta aos Coríntios: "Ainda que em nós se destrua o homem exterior, contudo o homem interior renova-se diariamente" (4, 16). O homem interior deve fortalecer-se - é um imperativo muito apropriado para o nosso tempo, em que os homens com muita frequência permanecem interiormente vazios e portanto devem apegar-se a promessas e narcóticos, que depois têm como consequência um ulterior aumento do sentido de vazio no seu íntimo. O vazio interior - a debilidade do homem interior - é um dos grandes problemas do nosso tempo. Deve ser revigorada a interioridade a perceptividade do coração; a capacidade de ver e compreender o mundo e o homem a partir de dentro, com o coração. Nós temos necessidade de uma razão iluminada pelo coração, para aprender a agir segundo a verdade na caridade. Todavia, isto não se realiza sem uma relação íntima com Deus, sem a vida de oração. Temos necessidade do encontro com Deus, que nos é concedido nos Sacramentos. E não podemos falar a Deus na oração, se não deixarmos que Ele mesmo fale primeiro, se não O ouvirmos na palavra que Ele nos comunicou. A este propósito, Paulo diz-nos: "Que Cristo habite pela fé nos vossos corações de modo que, arraigados e fundados na caridade, possais compreender, com todos os santos, qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo, e conhecer a sua caridade, que excede toda a ciência" (Ef 3, 17 s.). O amor vê mais longe que a simples razão: é o que Paulo nos diz com estas palavras. E diz-nos ainda que só na comunhão com todos os santos, ou seja, na grande comunidade de todos os crentes - e não contra ela ou sem ela - podemos conhecer a vastidão do mistério de Cristo. Ele circunscreve esta vastidão com palavras que querem expressar as dimensões do cosmos: largura, comprimento, altura e profundidade. O mistério de Cristo tem uma vastidão cósmica: Ele não pertence apenas a um determinado grupo. Cristo crucificado abraçou o universo inteiro, em todas as suas dimensões. Ele toma o mundo nas suas mãos e eleva-o rumo a Deus. A começar por Santo Ireneu de Lião portanto, desde o século II, os Padres viram nesta palavra da largura, comprimento, altura e profundidade do amor de Cristo uma alusão à Cruz. O amor de Cristo abraçou na Cruz a profundidade mais baixa - a noite da morte, e a altura suprema - a elevação do próprio Deus. E tomou nos seus braços a largura e a vastidão da humanidade e do mundo em todas as suas distâncias. Ele abraça sempre o universo - todos nós.
(Bento XVI, Discurso de encerramento do ano paulino - Roma, 28 de junho de 2009.)

PERGUNTAS PARA A REFLEXÃO PESSOAL E EM GRUPO:

" Amadureço em meu caminho de fé: de uma fé "só minha, particular" para uma fé eclesial?
" Em quais ambientes manifesto o meu ser cristão, caminhando com coragem contra a corrente, para testemunhar a verdade na caridade?
" O que fortalece o meu interior, o que me ajuda a superar o vazio e a frqueza espiritual?
" Como Maria Auxiliadora me ajuda no crescimento e no amadurecimento da fé?

3-FÉ TRINITÁRIA



PALAVRA DE DEUS

Irmãos, todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus. Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o espírito de adoção, pelo qual clamamos: "Aba! Pai!". O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. E, se filhos, também herdeiros: herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo, contanto que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorificados. (Rm.8, 14-17)

MAGISTÉRIO DE BENTO XVI

1. O ANO LITÚRGICO E OS MISTÉRIOS DA FÉ
Depois do tempo pascal, culminado na festa de Pentecostes, a liturgia prevê estas três solenidades do Senhor: (a Santíssima Trindade; Corpus Christi;, a festa do Sagrado Coração de Jesus)... Cada uma destas celebrações litúrgicas evidencia uma perspectiva a partir da qual se abrange todo o mistério da fé cristã: ou seja, respectivamente a realidade de Deus Uno e Trino, o Sacramento da Eucaristia e o centro divino-humano da Pessoa de Cristo. Na verdade são aspectos do único mistério da salvação, que num certo sentido resumem todo o itinerário da revelação de Jesus, da encarnação à morte e ressurreição até à ascensão e ao dom do Espírito Santo.

2. DEUS TRINDADE DO AMOR
No dia de hoje contemplamos a Santíssima Trindade, do modo como Jesus no-la fez conhecer. Ele revelou-nos que Deus é amor, "não na unidade de uma única pessoa, mas na Trindade de uma só substância" (Prefácio): é Criador e Pai misericordioso; é Filho Unigénito, eterna Sabedoria encarnada, morto e ressuscitado por nós; é, finalmente, Espírito Santo que tudo move, cosmos e história, rumo à plena recapitulação final. Três Pessoas que são um só Deus, porque o Pai é amor, o Filho é amor e o Espírito é amor. Deus é tudo e somente amor, amor puríssimo, infinito e eterno. Não vive numa solidão maravilhosa, mas é sobretudo fonte inesgotável de vida que se doa e se comunica incessantemente. Em certa medida podemos intuí-lo, observando quer o macro-universo: a nossa terra, os planetas, as estrelas e as galáxias; quer o micro-universo: as células, os átomos e as partículas elementares. Em tudo o que existe está num certo sentido gravado o "nome" da Santíssima Trindade, porque todo o ser, até às últimas partículas, é um ser em relação, e assim transparece o Deus-relação, transparece por fim o Amor criador. Tudo deriva do amor, tende para o amor e se move impelido pelo amor, naturalmente com diferentes graus de consciência e de liberdade. "Ó Senhor, nosso Deus / como é admirável o vosso nome em toda a terra" (Sl 8, 2), - exclama o salmista. Falando de "nome" a Bíblia indica o próprio Deus, a sua identidade mais verdadeira; identidade que resplandece sobre toda a criação, onde cada ser, pelo próprio facto de existir e pelo "tecido" de que é feito, faz referência a um Princípio transcendente, à Vida eterna e infinita que se doa, em síntese, ao Amor. "É nele - disse São Paulo no Areópago de Atenas - que realmente vivemos, nos movemos e existimos" (Act 17, 28).

3. A PRINCIPAL VOCAÇÃO DO HOMEM É O AMOR
A prova mais forte de que fomos criados à imagem da Trindade é esta: somente o amor nos torna felizes, porque vivemos em relação, e vivemos para amar e ser amados. Utilizando uma analogia sugerida pela biologia, diríamos que o ser humano traz no seu "genoma" o vestígio profundo da Trindade, de Deus-Amor. Na sua humildade dócil, a Virgem Maria fez-se serva do Amor divino: acolheu a vontade do Pai e concebeu o Filho por obra do Espírito Santo. Nela o Todo-Poderoso construiu para si um templo digno dele, fazendo do mesmo o modelo e a imagem da Igreja, mistério e casa de comunhão para todos os homens. Maria, espelho da Santíssima Trindade, nos ajude a crescer na fé no mistério trinitário.
(Bento XVI, Angelus de 7 de junho de 2009)
PERGUNTAS PARA A REFLEXÃO PESSOAL E EM GRUPO:

" Vivo o ano litúrgico como caminho e crescimento na fé?
" Fiz e renovo a escolha por Deus Amor, como escolha fundamental da vida?
" Maria Auxiliadora e Mãe do Amor: deixo-me guiar e formar pela sua maternidade?

4- CRENTES EM DEUS MISERICÓRDIA,
GUIADOS POR MARIA, MÃE DA MISERICÓRDIA


PALAVRA DE DEUS

O Senhor desceu na nuvem e esteve perto dele, pronunciando o nome de Javé. O Senhor passou diante dele, exclamando: "Javé, Javé, Deus compassivo e misericordioso, lento para cólera, rico em bondade e em fidelidade, que conserva sua graça até mil gerações, que perdoa a iniquidade, a rebeldia e o pecado, mas não tem por inocente o culpado, porque castiga o pecado dos pais nos filhos e nos filhos de seus filhos, até à terceira e à quarta geração". Moisés inclinou-se incontinente até a terra e prostrou-se, dizendo: "Se tenho o vosso favor, Senhor, dignai-vos marchar no meio de nós: somos um povo de cabeça dura, mas perdoai-nos nossas iniquidades e nossos pecados e, aceitai-nos como propriedade vossa". (Ex.34, 5-9)

MAGISTÉRIO DE BENTO XVI

1. TRINDADE: MISTÉRIO DE COMUNHÃO
Nesta solenidade a liturgia convida-nos a louvar a Deus não simplesmente por uma maravilha por Ele realizada, mas pelo modo como Ele é; pela beleza e pela bondade do seu ser, do qual provém o seu agir. Somos convidados a contemplar, por assim dizer, o Coração de Deus, a sua realidade mais profunda, que é a de ser Unidade na trindade, máxima e profunda Comunhão de amor e de vida. Toda a Sagrada Escritura nos fala d'Ele. Aliás, é Ele mesmo que nos fala de Si nas Escrituras e se revela, como Criador do universo e Senhor da história. Hoje ouvimos um trecho do Livro do Êxodo no qual o que é totalmente excepcional Deus até proclama o próprio nome! Fá-lo na presença de Moisés, com o qual falava face a face, como com um amigo. E qual é este nome de Deus? Todas as vezes nos comove ouvi-lo: "Javé! Javé! Deus misericordioso e clemente, vagaroso em encolerizar-se, cheio de bondade e de fidelidade" (Êx 34, 6). São palavras humanas, mas sugeridas e quase pronunciadas pelo Espírito Santo. Elas dizem-nos a verdade sobre Deus: eram verdadeiras ontem, são verdadeiras hoje e serão verdadeiras para sempre; fazem-nos ver com os olhos da mente o rosto do Invisível, dizem-nos o nome do Inefável. Este nome é misericórdia, Graça, Fidelidade.

2. MARIA, MÃE DA MISERICÓRDIA, NOS REVELA O SEMBLANTE MISERICORDIOSO DE DEUS
Queridos amigos, encontrando-me aqui em Savona, como não deixar de me alegrar juntamente convosco pelo facto de este nome ser precisamente aquele com que se apresentou a Virgem Maria, aparecendo a 18 de Março de 1536 a um camponês, filho desta terra? "Nossa Senhora da Misericórdia" é o título com que é venerada e dela temos há alguns anos uma grande imagem também nos Jardins do Vaticano. Mas Maria não falava de si, nunca fala de si, mas sempre de Deus, e fá-lo com este nome tão antigo e sempre novo; misericórdia, que é sinónimo de amor, de graça. Está aqui toda a essência do cristianismo, porque é a essência do próprio Deus. Deus é Uno porque é totalmente e só Amor, mas precisamente sendo Amor é abertura, acolhimento, diálogo; e na sua relação connosco, homens pecadores, é misericórdia, compaixão, graça, perdão. Deus criou tudo para a existência e a sua vontade é sempre e unicamente vida. Para quem se encontra em perigo, é salvação. Ouvimo-lo há pouco no Evangelho de João: "Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu o Seu Filho unigénito, para que todo o que n'Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16): neste doar-se de Deus na Pessoa do Filho está em acção toda a Trindade: o Pai que põe à nossa disposição o que tem de mais querido; o Filho que, de acordo com o Pai, se despoja da sua glória para se doar a nós; o Espírito que sai do abraço divino pacífico para irrigar os desertos da humanidade. Para esta obra da sua misericórdia Deus, dispondo-se a assumir a nossa carne, quis ter necessidade de um "sim" humano, do "sim" de uma mulher que se tornasse a Mãe do seu Verbo encarnado, Jesus, o Rosto humano da divina Misericórdia. Maria tornou-se assim e permanece para sempre a "Mãe da Misericórdia", como se fez conhecer também aqui, em Savona.

3. MARIA NOS GUIA À FÉ EM DEUS E A TESTEMUNHARMOS A NOSSA FÉ NA HORA DAS PROVAÇÕES
No decorrer da história da Igreja, a Virgem Maria mais não fez do que convidar os seus filhos a voltar para Deus, a confiar-se a Ele na oração, a bater com confiante insistência à porta do seu Coração misericordioso. Na verdade, Ele mais não deseja do que derramar sobre o mundo a superabundância da sua Graça. "Misericórdia e não justiça" implorou Maria, sabendo que certamente junto do seu Filho Jesus teria sido ouvida, mas de igual modo consciente da necessidade da conversão do coração dos pecadores. Por isso convidou à oração e à penitência... Ela ensina-nos a coragem para enfrentar os desafios do mundo: materialismo, relativismo, laicismo, sem nunca ceder a compromissos, dispostos a pagar pessoalmente para permanecer fiéis ao Senhor e à sua Igreja. O exemplo de firmeza serena dado pelo Papa Pio VII convida-nos a conservar inalterada nas provações a confiança em Deus, conscientes de que Ele, mesmo se permite à sua Igreja momentos difíceis, nunca a abandona. A vicissitude vivida pelo grande Pontífice na vossa terra convida-nos a ter sempre confiança na intercessão e na assistência materna de Maria Santíssima. A aparição da Virgem, num momento trágico da história de Savona e a experiência terrível que aqui enfrentou o Sucessor de Pedro concorrem para transmitir às gerações cristãs deste nosso tempo uma mensagem de esperança, encorajam-nos a ter confiança nos instrumentos da Graça que o Senhor põe à nossa disposição em todas as situações. E entre estes meios de salvação, gostaria de recordar antes de tudo a oração: a oração pessoal, familiar e comunitária. Na hodierna festa da Trindade apraz-me ressaltar a dimensão do louvor, da contemplação, da adoração. Penso nas jovens famílias e gostaria de as convidar a não ter receio de experimentar, desde os primeiros anos de matrimónio, um estilo simples de oração doméstica, favorecido pela presença das crianças pequenas, que têm muita facilidade de se dirigirem espontaneamente ao Senhor e a Nossa Senhora. Exorto as paróquias e as associações a dar tempo e espaço à oração, porque as actividades são pastoralmente estéreis se não forem precedidas, acompanhadas e amparadas constantemente pela oração. E que dizer da Celebração eucarística, especialmente da Missa dominical?... o Domingo deve ser redescoberto na sua raiz cristã, a partir da celebração do Senhor Ressuscitado, encontrado na Palavra de Deus e reconhecido no partir do Pão eucarístico. E depois também o Sacramento da Reconciliação exige que seja reavaliado como meio fundamental para o crescimento espiritual e para poder enfrentar com força e coragem os desafios actuais. Juntamente com a oração e com os Sacramentos, outros inseparáveis instrumentos de crescimento são as obras de caridade a serem praticadas com fé viva. Sobre este aspecto da vida cristã quis deter-me também na Encíclica Deus caritas est. No mundo moderno, que com frequência faz da beleza e da eficiência física um ideal que deve ser perseguido de qualquer forma, como cristãos somos chamados a encontrar o rosto de Jesus Cristo, "o mais belo dos filhos do homem" (Sl 44, 3), precisamente nas pessoas que sofrem e são excluídas. Infelizmente, são numerosas hoje as emergências morais e materiais que nos preocupam... Desejo dirigir uma especial e calorosa saudação naturalmente a vós jovens! Queridos amigos, ponde a vossa juventude ao serviço de Deus e dos fiéis. Seguir Cristo exige sempre a coragem de ir contracorrente. Mas vale a pena: este é o caminho da verdadeira realização pessoal e portanto da verdadeira felicidade. Com Cristo experimenta-se de facto que "há mais alegria em dar do que em receber" (Act 20, 35). Eis por que vos encorajo a levar a sério o ideal da santidade. Um conhecido escritor francês deixou-nos numa das suas obras uma frase que hoje gostaria de vos recomendar: "Há uma só tristeza: a de não ser santos" (Léon Bloy, La femme pauvre, II, 27). Queridos jovens, ousai comprometer a vossa vida em opções corajosas, não sozinhos, naturalmente, mas com o Senhor!
(Bento XVI, Savona, 17 de maio de 2008.)

PERGUNTAS PARA A REFLEXÃO PESSOAL E EM GRUPO:

" Creio no amor fiel e misericordioso de Deus ou me deixo vencer pela desconfiança e pelo desânimo?
" Maria Auxiliadora apoiou Pio VII na hora da provação: creio na ajuda poderosa de Maria?
" Valorizo os instrumentos da graça, sobretudo a oração em família e a Eucaristia dominical?

5- A SALVAÇÃO DAS ALMAS - META DE NOSSA FÉ


PALAVRA DE DEUS

Pedro, Apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos que são estrangeiros e estão espalhados no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia - eleitos segundo a presciência de Deus Pai, e santificados pelo Espírito, para obedecer a Jesus Cristo e receber a sua parte da aspersão do seu sangue. A graça e a paz vos sejam dadas em abundância. Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Na sua grande misericórdia ele nos fez renascer pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma viva esperança, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada para vós nos céus; para vós que sois guardados pelo poder de Deus, por causa de vossa fé, para a salvação que está pronta para se manifestar nos últimos tempos. É isto o que constitui a vossa alegria, apesar das aflições passageiras a vos serem causadas ainda por diversas provações, para que a prova que é submetida a vossa fé - (mais preciosa que o ouro perecível, o qual, entretanto, não deixamos de provar ao fogo) - redunde para o vosso louvor, para vossa honra e para vossa glória, quando Jesus Cristo se manifestar. Este Jesus, vós o amais, sem o terdes visto; credes nele, sem o verdes ainda, e isto é para vós a fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque vós estais certos de obter, como preço de vossa fé, a salvação de vossas almas. (1Pe.1, 1-9)

MAGISTÉRIO DE BENTO XVI

1. CRISTO, PASTOR E PROTETOR DE NOSSAS ALMAS
Que nos diz portanto São Pedro - precisamente no Ano sacerdotal - sobre a tarefa do sacerdote? Antes de tudo, ele compreende o ministério sacerdotal totalmente a partir de Cristo. Chama Cristo o "pastor e guarda das... almas" (2, 25). Onde a tradução italiana fala de "guarda", o texto grego usa a palavra episcopos (bispo). Mais à frente, Cristo é qualificado como o Pastor supremo: archipoimen (5, 4). Surpreende que Pedro chame o próprio Cristo bispo - bispo das almas. O que pretende dizer com isto? Na palavra grega "episcopos" está contido o verbo "ver"; por isso foi traduzida com "guarda" ou seja, "vigilante". Mas certamente não se quer indicar uma vigilância externa, como convém talvez a um guarda da prisão. Ao contrário, indica-se um ver do alto - um ver a partir da altura de Deus. Um ver na perspectiva de Deus é um ver do amor que deseja servir o outro, deseja ajudá-lo a tornar-se deveras ele mesmo. Cristo é o "bispo das almas", diz-nos Pedro. Isto significa: Ele vê-nos na perspectiva de Deus. Olhando a partir de Deus, tem-se uma visão de conjunto, vêem-se tanto os perigos como as esperanças e as possibilidades. Na perspectiva de Deus vê-se a essência, vê-se o homem interior. Se Cristo é o bispo das almas, o objectivo é evitar que a alma no homem se empobreça, é fazer com que o homem não perca a sua essência, a capacidade para a verdade e para o amor. Fazer com que ele conheça Deus; que não se perca em becos sem saída; que não se perca no isolamento, mas permaneça aberto a todos. Jesus, o "bispo das almas", é o protótipo de todos os ministérios episcopais e sacerdotais. Ser bispo, ser sacerdote significa nesta perspectiva: assumir a posição de Cristo. pensar, ver e agir a partir da sua posição elevada. A partir d'Ele estar à disposição dos homens, para que encontrem a vida. Assim a palavra "bispo" aproxima-se muito da palavra "pastor", aliás, os dois conceitos tornam-se intercambiáveis. É tarefa do pastor apascentar e guardar o rebanho e conduzi-lo às pastagens justas. Apascentar o rebanho significa preocupar-se por que as ovelhas encontrem o alimento justo, que seja saciada a sua fome e satisfeita a sua sede. Fora da metáfora, isto significa: a palavra de Deus é o alimento do qual o homem precisa. Tornar sempre de novo presente a palavra de Deus e assim alimentar os homens é a tarefa do Pastor recto. E ele deve saber também resistir aos inimigos, aos lobos. Deve preceder, indicar o caminho, conservar a unidade do rebanho. Pedro, no seu discurso aos presbíteros, evidencia ainda um aspecto muito importante. Não é suficiente falar. Os Pastores devem tornar-se "modelos do rebanho" (5, 3). A palavra de Deus é transposta do passado para o presente, quando é vivida. É maravilhoso ver como nos santos a palavra de Deus se torna uma palavra dirigida ao nosso tempo.

2. A SALVAÇÃO DAS ALMAS
Por fim gostaria de fazer notar ainda uma pequena, mas importante palavra de São Pedro. Logo no começo da Carta ele diz que a meta da nossa fé é a salvação das almas (cf. 1, 9). No mundo da linguagem e do pensamento da actual cristandade esta é uma afirmação estranha, para alguns talvez seja até escandalosa. A palavra "alma" caiu em descrédito. Diz-se que isto levaria a uma divisão do homem em espírito e em físico, em alma e corpo, enquanto na realidade ele seria uma unidade indivisível. Além disso, "a salvação das almas" como meta da fé parece indicar um cristianismo individualista, uma perda de responsabilidade pelo mundo no seu conjunto, na sua corporeidade e na sua materialidade. Mas de tudo isto nada se encontra na Carta de São Pedro. O zelo pelo testemunho a favor da esperança, a responsabilidade pelos outros caracterizam todo o texto. Para compreender a palavra sobre a salvação das almas como meta da fé devemos partir de outro lado. É uma realidade que a falta de cuidado das almas, o empobrecer-se do homem interior não destrói apenas o indivíduo, mas ameaça o destino da humanidade no seu conjunto. Sem a cura das almas, sem o restabelecimento do homem a partir de dentro, não pode haver uma salvação para a humanidade. São Pedro qualifica a verdadeira doença das almas, para nossa surpresa, como ignorância ou seja, como não conhecimento de Deus. Quem não conhece Deus, quem pelo menos não procura sinceramente, permanece fora da vida (cf. 1 Pd 1, 14). Mais uma palavra da Carta pode ser-nos útil para compreender melhor a fórmula "salvação das almas": "Purificai as vossas almas com a obediência à verdade" (cf. 1, 22). É a obediência à verdade que purifica a alma. E conviver com a mentira polui-a. A obediência à verdade começa com as pequenas verdades da vida quotidiana, que com frequência podem ser cansativas e dolorosas. Esta obediência alarga-se depois até à obediência incondicionada face à própria Verdade que é Cristo. Esta obediência torna-nos não só puros, mas sobretudo também livres para o serviço a Cristo e assim à salvação do mundo, que tem sempre o seu início na purificação obediente da própria alma mediante a verdade. Só podemos indicar o caminho para a verdade se nós próprios - em obediência e paciência - nos deixarmos purificar pela verdade.
(Bento XVI, na Capela Papal, durante a solenidade dos santos apóstolos Pedro e Paulo, 29/06/2009.)

PERGUNTAS PARA A REFLEXÃO PESSOAL E EM GRUPO:

" Deixo-me proteger e guiar pelos pastores da minha alma?
" "Tenho cuidado" com minha alma ou deixo que caia na miséria e se polua com a mentira?
" Para Dom Bosco, Maria é a Pastora que guia para os prados do amor e da verdade: confio a Maria o meu caminho de fé e o meu compromisso na caridade, principalmente em relação aos jovens?

6-AUTÊNTICO SENTIDO DE IGREJA


PALAVRA DE DEUS

Aí não haverá mais grego nem judeu, nem bárbaro nem cita, nem escravo nem livre, mas somente Cristo, que será tudo em todos. Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrém. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós. Mas, acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. Triunfe em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único corpo. E sêde agradecidos (Col. 3,11-15).

MAGISTÉRIO DE BENTO XVI

1. IGREJA: MISTÉRIO DE COMUNHÃO, POVO DE DEUS, CORPO DE CRISTO
O Concílio Vaticano II, querendo transmitir pura e íntegra a doutrina sobre a Igreja maturada no decorrer de dois mil anos, deu dela "uma definição mais meditada", ilustrando antes de tudo a sua natureza mística, isto é, de "realidade imbuída de presença divina, e por isso sempre capaz de explorações novas e cada vez mais profundas" (Paulo VI, Discurso de abertura da segunda sessão, 29 de Setembro de 1963). Pois bem, a Igreja, que tem origem no Deus trinitário, é um mistério de comunhão. Enquanto comunhão, a Igreja não é uma realidade apenas espiritual, mas vive na história, por assim dizer, em carne e osso. O Concílio Vaticano II descreve-a "como um sacramento, ou sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano" (Lumen gentium, 1). E a essência do sacramento é precisamente que no visível se toca o invisível, que o visível tocável abre a porta ao próprio Deus. A Igreja, dissemos, é uma comunhão, uma comunhão de pessoas que, pela acção do Espírito Santo, formam o Povo de Deus, que é ao mesmo tempo o Corpo de Cristo. Reflictamos um pouco sobre estas duas palavras-chave. O conceito "Povo de Deus" nasceu e desenvolveu-se no Antigo Testamento: para entrar na realidade da história humana, Deus elegeu um determinado povo, o povo de Israel, para que seja o seu povo. A intenção desta escolha particular é alcançar, através de poucos, os muitos, e dos muitos a todos. A intenção, com outras palavras, da eleição particular é a universalidade. Através deste Povo, Deus entra realmente de modo concreto na história. E esta abertura à universalidade realizou-se na cruz e na ressurreição de Cristo. Na Cruz Cristo, assim diz São Paulo, abateu o muro da separação. Dando-nos o seu Corpo, Ele une-nos neste seu Corpo para fazer de nós uma coisa só. Na comunhão do "Corpo de Cristo" todos nos tornamos um só povo, o Povo de Deus, onde - citando de novo São Paulo - todos são uma só coisa e não há mais distinção, diferença, entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro, xiita, escravo, hebreu, mas Cristo é tudo em todos. Derrubou o muro da distinção de povos, raças, culturas: todos estamos unidos em Cristo. Assim vemos que os dois conceitos "Povo de Deus" e "Corpo de Cristo" se completam e formam juntos o conceito neotestamentário de Igreja. E enquanto "Povo de Deus" expressa a continuidade da história da Igreja, "Corpo de Cristo" expressa a universalidade inaugurada na cruz e na ressurreição do Senhor. Portanto, para nós cristãos, "Corpo de Cristo" não é só uma imagem, mas um verdadeiro conceito, porque Cristo nos oferece o seu Corpo real, e não só uma imagem. Ressuscitado, Cristo une-nos a todos no Sacramento para fazer de nós um só corpo. Por conseguinte, os conceitos "Povo de Deus" e "Corpo de Cristo" completam-se: em Cristo tornamo-nos realmente o Povo de Deus. E "Povo de Deus" significa portanto "todos": começando pelo Papa até à última criança baptizada. A primeira Oração eucarística, o chamado cânone romano escrito no século IV, distingue entre servos - "nós teus servos" - e "plebs tua sancta"; portanto, se se quiser distinguir, fala-se de servos e plebs sancta, enquanto que a expressão "Povo de Deus" expressa todos juntos no seu comum ser Igreja.

2. AUTÊNTICA INTERPRETAÇÃO DA ECLESIOLOGIA DO VATICANO II
Depois do Concílio esta doutrina eclesiológica encontrou amplo acolhimento, e graças a Deus muitos bons frutos maturaram na comunidade cristã. Mas devemos também recordar que a recepção desta doutrina na prática e a consequente assimilação no tecido da consciência eclesial, não se verificaram sempre e em toda a parte sem dificuldades e segundo uma justa interpretação. Como tive a ocasião de esclarecer no discurso à Cúria Romana a 22 de Dezembro de 2005, uma corrente interpretativa, apelando-se a um presumível "espírito do Concílio", julgou estabelecer uma descontinuidade e até uma contraposição entre a Igreja antes e a Igreja depois do Concílio, ultrapassando por vezes os próprios confins objectivamente existentes entre o ministério hierárquico e as responsabilidades dos leigos na Igreja. A noção de "Povo de Deus", em particular, foi interpretada por alguns segundo uma visão puramente sociológica, com uma ruptura quase exclusivamente horizontal, que excluía a referência vertical a Deus. Trata-se de uma posição em aberto contraste com a palavra e com o espírito do Concílio, o qual não quis uma ruptura, uma outra Igreja, mas um verdadeiro e profundo renovamento, na continuidade do único sujeito Igreja, que cresce no tempo e se desenvolve, permanecendo contudo sempre idêntico, único sujeito do Povo em peregrinação.
(Bento XVI, discurso de abertura do Congresso pastoral da Diocese de Roma - 26 de maio de 2009)

PERGUNTAS PARA A REFLEXÃO PESSOAL E EM GRUPO:

" Como interpreto e vivo a minha pertença eclesial?
" Considero a Igreja como sacramento de comunhão, Povo de Deus peregrinante no tempo e na história, Corpo de Cristo que busca a salvação de todos?
" A minha consciência e o meu agir são autenticamente eclesiais, abertos a Deus, ou se resumem a um fato social?
" Dom Bosco uniu profeticamente o título de Maria Auxiliadora àquele de Mãe da Igreja: tal fato se constitue em uma valiosa ajuda para um autêntico sentido e pertença eclesial?

7. PERTENÇA E CO-RESPONSABILIDADE ECLESIAL
E PASTORAL DOS LEIGOS


PALAVRA DE DEUS

Perseveram eles na doutrina dos Apóstolos, nas reuniões em comum, na fração do pão e nas orações. De todos eles se apoderou o temor, pois pelos Apóstolos foram feitos também muitos prodígios e milagres em Jerusalém, e o temor estava em todos os corações. Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam, as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um. Unidos de coração, frequentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros, que estavam a caminho da salvação. (At.2, 42-47)

MAGISTÉRIO DE BENTO XVI

1. O CAMINHO DA PERTENÇA E DA CO-RESPONSABILIDADE ECLESIAL E PASTORAL DOS LEIGOS
Demasiados baptizados não se sentem parte da comunidade eclesial e vivem à margem dela, dirigindo-se às paróquias só nalgumas circunstâncias para receber serviços religiosos. São ainda poucos os leigos, em proporção ao número dos habitantes de cada paróquia que, mesmo professando-se católicos, não se disponibilizam para trabalhar nos diversos campos apostólicos. Certamente, não faltam as dificuldades de tipo cultural e social mas, fiéis ao mandato do Senhor, não podemos resignar-nos à conservação do existente. Confiantes na graça do Espírito, que Cristo ressuscitado nos garantiu, devemos retomar com zelo renovado o caminho. Que vias podemos percorrer? É preciso em primeiro lugar renovar o esforço por uma formação mais atenta e pontual à visão de Igreja da qual falei, e isto tanto da parte dos sacerdotes como dos religiosos e dos leigos. Compreender sempre melhor o que é esta Igreja, este Povo de Deus no Corpo de Cristo. É necessário, ao mesmo tempo, melhorar a orientação pastoral, de modo que, no respeito das vocações e dos papéis dos consagrados e dos leigos, se promova gradualmente a co-responsabilidade do conjunto de todos os membros do Povo de Deus. Isto exige uma mudança de mentalidade no que diz respeito particularmente aos leigos, passando do considerá-los "colaboradores" do clero ao reconhecê-los realmente "co-responsáveis" do ser e do agir da Igreja, favorecendo a consolidação de um laicado maduro e comprometido. Esta consciência comum de todos os baptizados de ser Igreja não diminui a responsabilidade dos párocos. Compete precisamente a vós, queridos párocos, promover o crescimento espiritual e apostólico de quantos já são assíduos e comprometidos nas paróquias: eles são o núcleo da comunidade que servirá de fermento para os outros.

2. ESCUTA DA PALAVRA DE DEUS E A PRÁTICA DA LECTIO DIVINA
Para que tais comunidades, mesmo se algumas vezes numericamente pequenas, não percam a sua identidade e o seu vigor, é necessário que sejam educadas na escuta orante da Palavra de Deus, através da prática da lectio divina, ardentemente desejada pelo recente Sínodo dos Bispos. Alimentemo-nos realmente da escuta, da meditação da Palavra de Deus. A estas nossas comunidades nunca deve faltar a consciência de que são "Igreja" porque Cristo, Palavra eterna do Pai, as convoca e as faz seu Povo. De facto, a fé é por um lado uma relação profundamente pessoal com Deus, mas possui uma componente comunitária essencial e as duas dimensões são inseparáveis. Assim poderão experimentar a beleza e a alegria de ser e de se sentir Igreja também os jovens, que estão mais expostos ao crescente individualismo da cultura contemporânea, a qual comporta como inevitáveis consequências o enfraquecimento dos vínculos interpessoais e o debilitar-se das pertenças. Na fé em Deus estamos unidos no Corpo de Cristo e tornamo-nos todos unidos no mesmo Corpo e assim, precisamente crendo de forma profunda, podemos expressar também a comunhão entre nós e superar a solidão do individualismo.
3. VIDA E EUCARISTIA E CUIDADO COM A CARIDADE
Se é a Palavra que convoca a Comunidade, é a Eucaristia que a torna seu corpo: "Porque havendo um só pão - escreve São Paulo - nós, sendo muitos, somos um só corpo: de facto todos pertencemos ao único pão" (1 Cor 10, 17). Portanto a Igreja não é o resultado de uma soma de indivíduos, mas uma unidade entre aqueles que são alimentados pela única Palavra de Deus e pelo único Pão de vida. A comunhão e a unidade da Igreja, que nascem da Eucaristia, são uma realidade da qual devemos ter cada vez mais consciência, também no nosso receber a santa comunhão, ser cada vez mais conscientes de que entramos em unidade com Cristo e assim tornamo-nos, entre nós, uma só coisa. Devemos aprender sempre de novo a guardar e defender esta unidade de rivalidades, de pretensões e ciúmes que podem nascer nas e entre as comunidades eclesiais. Em particular, gostaria de pedir aos movimentos e às comunidades que surgiram depois do Vaticano ii, que também no interior da nossa Diocese são um dom precioso do qual devemos agradecer sempre ao Senhor, gostaria de pedir a estes movimentos, que, repito, são um dom, que se preocupem sempre por que os seus percursos formativos conduzam os membros a maturar um verdadeiro sentido de pertença à comunidade paroquial. Centro da vida da paróquia, como disse, é a Eucaristia, e particularmente a Celebração dominical. Se a unidade da Igreja nasce do encontro com o Senhor, não é secundário então que a adoração e a celebração da Eucaristia sejam muito cuidadas, dando a oportunidade a quem nelas participa de experimentar a beleza do mistério de Cristo. Dado que a beleza da liturgia não é "mero esteticismo, mas modalidade com que a verdade do amor de Deus em Cristo nos alcança, fascina e arrebata" (cf. Sacramentum caritatis, 35), é importante que a Celebração eucarística manifeste, comunique, através dos sinais sacramentais, a vida divina e revele aos homens e às mulheres desta cidade o verdadeiro rosto da Igreja.

4. AÇÃO MISSIONÁRIA E TESTEMUNHO DA CARIDADE
O crescimento espiritual e apostólico da comunidade leva depois a promover o seu alargamento através de uma acção missionária convicta. Prodigalizai-vos portanto para voltar a animar cada paróquia, como nos tempos da Missão da Cidade, aos pequenos grupos ou centros de escuta de fiéis que anunciam Cristo e a sua Palavra, lugares nos quais seja possível experimentar a fé, exercer a caridade, organizar a esperança. Este articular-se das grandes paróquias urbanas através do multiplicar-se de pequenas comunidades permite um alcance missionário mais amplo, que tem em consideração a densidade da população, a sua fisionomia social e cultural, com frequência muito diversificada. Seria importante se este método pastoral encontrasse aplicação eficaz também nos lugares de trabalho, que hoje devem ser evangelizados com uma pastoral de ambiente bem pensada, porque devido à elevada mobilidade social a população transcorre nele grande parte do dia. Por fim, não se deve esquecer o testemunho da caridade, que une os corações e abre à pertença eclesial. À pergunta como se explique o sucesso do Cristianismo dos primeiros séculos, o crescimento de uma presumível seita judaica à religião do Império, os historiadores respondem que foi particularmente a experiência da caridade dos cristãos que convenceu o mundo. Viver a caridade é a forma primária da missionariedade. A Palavra anunciada e vivida torna-se credível se se encarna em comportamentos de solidariedade, de partilha, em gestos que mostram o rosto de Cristo como de verdadeiro Amigo do homem. O silencioso e quotidiano testemunho da caridade, promovido pelas paróquias graças ao compromisso de tantos fiéis leigos, continue a propagar-se cada vez mais, para que quem vive no sofrimento sinta que a Igreja está próxima e conheça o amor do Pai, rico de misericórdia. Sede portanto "bons samaritanos" prontos a curar as feridas materiais e espirituais dos vossos irmãos. Os diáconos, conformados com a ordenação a Cristo servo, poderão desempenhar um serviço útil na promoção de uma renovada atenção em relação às antigas e novas formas de pobreza. Penso além disso nos jovens: caríssimos, convido-vos a colocar ao serviço de Cristo e do Evangelho o vosso entusiasmo e a vossa criatividade, tornando-vos apóstolos dos vossos coetâneos, dispostos a responder generosamente ao Senhor, se vos chamar para o seguir mais de perto, no sacerdócio ou na vida consagrada.
(Bento XVI, Discurso de abertura do Congresso pastoral da Diocese de Roma - 26 de maio de 2009.)

PERGUNTAS PARA A REFLEXÃO PESSOAL E EM GRUPO:

" Até que ponto vem sendo reconhecida e favorecida a co-responsabilidade pastoral de todos, especialmente a dos leigos?
" Em um mundo onde não poucos batizados têm deixado o caminho da Igreja e onde aqueles que não são cristãos não conhecem a beleza da nossa fé, qual é o nosso testemunho e o nosso compromisso?
" Tenho consciência do fato de que o mandato de evangelizar não se dirige apenas a alguns mas é dirigido a todos os batizados?
" Quais valores atribuo à escuta da Palavra de Deus e à Celebração Eucarística em relação ao cuidado pela unidade e pelo testemunho da caridade?
" A devoção a Maria Auxiliadora ajuda a crescer no sentido de pertença eclesial e de co-responsabilidade pastoral?

8- "DA MIHI ANIMAS CETERA TOLLE!"


PALAVRA DE DEUS

"Eu vim lançar fogo à terra, e que tenho eu a desejar se ele já está aceso? Mas devo ser batizado num batismo; e quanto anseio até que ele se cumpra!" (Lc.12,49-50)

MAGISTÉRIO DE BENTO XVI

1. A PAIXÃO APOSTÓLICA DE DOM BOSCO: A SALVAÇÃO DAS ALMAS
Dom Bosco é um exemplo resplandecente de uma vida marcada pela paixão apostólica, vivida ao serviço da Igreja dentro da Congregação e da Família salesiana. Na escola de São José Cafasso, o vosso Fundador aprendeu a assumir o mote "Da mihi animas, cetera tolle" como síntese de um modelo de acção pastoral inspirado na figura e na espiritualidade de São Francisco de Sales. O horizonte no qual se coloca este modelo é o da primazia absoluta do amor de Deus, um amor que chega a plasmar personalidades fervorosas, desejosas de contribuir para a missão de Cristo, a fim de acender toda a terra com o fogo do seu amor (cf. Lc 12, 49). Ao lado do fervor do amor de Deus, outra característica do modelo salesiano é a consciência do valor inestimável das "almas". Esta percepção gera, por contraste, um sentido agudo do pecado e das suas devastantes consequências no tempo e na eternidade. O apóstolo está chamado a colaborar na acção redentora do Salvador, para que ninguém se desvie. "Salvar as almas", segundo a palavra de São Pedro, foi portanto a única razão de vida de Dom Bosco. O Beato Michele Rua, seu primeiro sucessor, sintetizou assim toda a vida do vosso amado Pai e Fundador: "Não moveu passo algum, não pronunciou palavras, não empreendeu obras que não tivessem por finalidade a salvação da juventude... Realmente a sua única preocupação eram as almas". Assim o Beato Michele Rua falou de Dom Bosco. Também hoje é urgente alimentar no coração de cada Salesiano esta paixão. Ele não terá assim receio de se mover com audácia nos âmbitos mais difíceis da acção evangelizadora a favor dos jovens, especialmente dos mais pobres material e espiritualmente. Terá a paciência e a coragem de propor aos jovens que vivam a mesma totalidade de dedicação na vida consagrada. Ele terá o coração aberto para encontrar as novas necessidades dos jovens e ouvir a sua invocação de ajuda, deixando eventualmente a outros os campos já consolidados de intervenção pastoral. O Salesiano enfrentará por isso as exigências totalizantes da missão com uma vida simples, pobre e austera, na partilha das mesmas condições dos pobres e terá a alegria de dar mais a quem na vida teve menos. A paixão apostólica far-se-á contagiosa e atrairá também outros. O Salesiano torna-se portanto promotor do sentido apostólico, ajudando antes de tudo os jovens a conhecer e a amar o Senhor Jesus, a deixar-se fascinar por Ele, a cultivar o compromisso evangelizador, a querer fazer o bem aos próprios coetâneos, e a ser apóstolos de outros jovens, como São Domingos Sávio, a Beata Laura Vicuña e o Beato Zeferino Namuncurá e os cinco jovens Beatos Mártires do oratório de Poznan. Queridos Salesianos, seja vosso compromisso formar leigos com um coração apostólico, convidando todos a caminhar na santidade de vida que faz amadurecer discípulos corajosos e apóstolos autênticos.

2. URGÊNCIA EDUCATIVA E O PAPEL DA FAMÍLIA
Na mensagem que dirigi ao Reitor-Mor no início do vosso Capítulo Geral quis entregar idealmente a todos os Salesianos a carta por mim recentemente enviada aos fiéis de Roma, sobre a preocupação daquela a que chamei uma grande emergência educativa. "Educar nunca foi fácil e hoje parece tornar-se cada vez mais difícil: por isso não poucos pais e professores se sentem tentados a renunciar à sua tarefa, e não conseguem sequer compreender qual seja, verdadeiramente, a missão que lhes está confiada. De facto, demasiadas incertezas e dúvidas circulam na nossa sociedade e na nossa cultura, demasiadas imagens deturpadas são veiculadas pelos meios de comunicação social. Assim, torna-se difícil propor às novas gerações algo de válido e de certo, regras de comportamento e objectivos pelos quais valha a pena dispender a própria vida" (Discurso na entrega à Diocese de Roma da Carta sobre a tarefa urgente da educação, 23 de Fevereiro de 2008). Na realidade, o aspecto mais grave da emergência educativa é o sentido de desencorajamento que invade muitos educadores, em particular pais e professores, face às dificuldades que a sua tarefa hoje apresenta. De facto, assim escrevi na citada carta: "Alma da educação pode ser apenas uma esperança fiável. Hoje a nossa esperança é insidiada de muitas partes, e arriscamos de nos tornarmos nós também, como os antigos pagãos, homens "sem esperança e sem Deus neste mundo", como escrevia o apóstolo Paulo aos cristãos de Éfeso (2, 12). Nasce precisamente disto a dificuldade talvez mais profunda para uma verdadeira obra educativa: na raiz da crise da educação há de facto uma crise de confiança na vida", que, no fundo, não é mais do que desconfiança naquele Deus que nos chamou à vida. Na educação dos jovens é extremamente importante que a família seja um sujeito activo. Ela encontra-se muitas vezes em dificuldade ao enfrentar os desafios da educação; outras vezes é incapaz de oferecer a sua contribuição específica, ou então é ausente. A predilecção e o compromisso a favor dos jovens, que são característica do carisma de Dom Bosco, devem traduzir-se num igual compromisso pelo envolvimento e formação das famílias. Portanto, a vossa pastoral juvenil deve abrir-se decididamente à pastoral familiar. Ocupar-se das famílias não é subtrair forças ao trabalho pelos jovens, aliás é torná-lo mais duradouro e mais eficaz. Por isso encorajo-vos a aprofundar as formas deste compromisso, sobre o qual já vos encaminhastes; isto será também em benefício da educação e evangelização dos jovens.
(Bento XVI aos membros do 26º Capítulo Geral dos Salesianos, 31/03/2008.)

PERGUNTAS PARA A REFLEXÃO PESSOAL E EM GRUPO:

" Faço meus a paixão e o ardor apostólicos de Dom Bosco, pela salvação das almas?
" Frente aos desafios da urgência educativa, como reajo: deixo-me vencer pelo desânimo e pela lamentação ou reavivo em mim a graça da esperança?
" Quais atenções e auxílios ofereço às famílias para a educação e a evangelização das novas gerações?
" Como Maria Auxiliadora alimenta em mim o ardor apostólico de "Da mihi animas, cetera tolle"?

9- URGÊNCIA EDUCATIVA E TRANSMISSÃO DA FÉ


PALAVRA DE DEUS

Paulo, apóstolo de Jeus Cristo pela vontade de Deus para anunciar a promessa da vida que está em Jesus Cristo, a Timóteo, filho caríssimo: graça, misericórdia, paz, da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, Nosso Senhor! Dou graças a Deus, a quem sirvo com pureza de consciência, tal como aprendi de meus pais, e me lembro de ti sem cessar nas minhas orações. De noite e de dia. Quando me vêm ao pensamento as tuas lágrimas, sinto grande desejo de te ver para me encher de alegria. Conservo a lembrança daquela tua fé tão sincera, que foi primeiro a de tua avó Lóide e de tua mãe Eunice e que, não tenho a menor dúvida, habita em ti também. Por este motivo, eu te exorto a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. Pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de sabedoria. Não te envergonhes, portanto, do testemunho de Nosso Senhor, nem de mim, seu prisioneiro, mas, sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus. Deus nos salvou e chamou para a santidade, não em atenção às nossas obras, mas em virtude do seu desígnio, da graça que desde a eternidade nos destinou em Cristo Jesus, e agora nos manifestou a Aparição de nosso Salvador Jesus Cristo, que destruiu a morte e suscitou a vida e a imortalidade, pelo Evangelho, do qual fui constituído pregador e apóstolo e mestre entre os gentios. (2Tm. 1, 1-11)

MAGISTÉRIO DE BENTO XVI

1. EVANGELIZAÇÃO E EDUCAÇÃO DOS JOVENS
Desejo antes de tudo felicitar-me convosco por terdes posto no centro dos vossos trabalhos a reflexão sobre como favorecer o encontro dos jovens com o Evangelho e portanto, em concreto, sobre questões fundamentais e da educação das novas gerações. Na Itália, como noutros países, é muito sentida a que podemos definir uma verdadeira "emergência educativa". De facto, quando numa sociedade e numa cultura marcadas por um relativismo alastrador e não raramente parecem faltar as certezas básicas, os valores e as esperanças que dão um sentido à vida, difunde-se facilmente, entre os pais como entre os professores, a tentação de renunciar à própria tarefa, e ainda antes o risco de não compreender mais qual seja o próprio papel e missão. Assim as crianças, os adolescentes e os jovens, mesmo circundados por muitas atenções e talvez mantidos excessivamente protegidos das provações e das dificuldades da vida, se sentem no final abandonados a si mesmos face às grandes perguntas que inevitavelmente surgem dentro deles, como face às expectativas e aos desafios que sentem recair sobre o seu futuro. Para nós, Bispos, para os nossos sacerdotes, para os catequistas e para toda a comunidade cristã a emergência educativa assume um rosto bem claro: o da transmissão da fé às novas gerações. Também neste aspecto, num certo sentido especialmente aqui, devemos confrontar-nos com os obstáculos entrepostos pelo relativismo, por uma cultura que põe Deus entre parênteses e desencoraja qualquer opção deveras empenhativa e em particular as opções definitivas, para privilegiar ao contrário, nos diversos âmbitos da vida, a afirmação de si e os prazeres imediatos.

2. FORMAS E OCASIÕES DE EVANGELIZAÇÃO
Devemos além disso proporcionar um perfil mais elevado de evangelização às muitas formas e ocasiões de encontro e de presença que ainda temos com o mundo juvenil, nas paróquias, nos oratórios, nas escolas em particular nas escolas católicas e em tantos outros lugares de agregação. São sobretudo importantes, sem dúvida, os relacionamentos interpessoais e especialmente a confissão sacramental e a direcção espiritual. Cada uma destas ocasiões é uma possibilidade que nos é dada de fazer compreender aos nossos jovens o rosto daquele Deus que é o verdadeiro amigo do homem. Os grandes encontros, depois, como o que vivemos no passado mês de Setembro em Loreto e como o que viveremos em Julho em Sidney, onde estarão presentes também muitos jovens italianos, são a expressão comunitária, pública e jubilosa daquela expectativa, daquele amor e daquela confiança em Cristo e na Igreja que permanecem radicados no ânimo juvenil. Estes encontros reúnem portanto o fruto do nosso quotidiano trabalho pastoral e ao mesmo tempo ajudam a respirar a plenos pulmões a universalidade da Igreja e a fraternidade que deve unir todas as Nações.

3. A PROCURA DA EDUCAÇÃO É A PROCURA DO SENTIDO DA VIDA
Também no mais amplo contexto social, precisamente a actual emergência educativa faz crescer a exigência de uma educação que o seja deveras: portanto, em concreto, de educadores que saibam ser testemunhas credíveis daquelas realidades e daqueles valores sobre os quais é possível construir quer a existência pessoal quer projectos de vida comuns e partilhados. Esta exigência, que eleva do corpo social e que envolve os jovens e os adolescentes não menos que os pais e os outros educadores, já constitui em si a premissa e o início de um percurso de redescoberta e de retomada que, em formas adequadas aos tempos actuais, coloque de novo no centro a formação plena e integral da pessoa humana... mesmo se os problemas a enfrentar são numerosos, o problema fundamental do homem de hoje permanece o problema de Deus. Nenhum outro problema humano e social poderá ser verdadeiramente resolvido se Deus não voltar para o centro da nossa vida. Só assim, através do encontro com o Deus vivo, fonte daquela esperança que nos muda a partir de dentro e que não desilude (cf. Rm 5, 5), é possível reencontrar uma forte e segura confiança na vida e dar consistência e vigor aos nossos projectos de bem.

4. LUGARES E AMBIENTES DE EDUCAÇÃO E DE EVANGELIZAÇÃO
No quadro de uma laicidade sadia e bem compreendida, é preciso portanto resistir a qualquer tendência a considerar a religião, e em particular o cristianismo, como um facto apenas privado: as perspectivas que nascem da nossa fé podem oferecer ao contrário uma contribuição fundamental para o esclarecimento e para a solução dos maiores problemas sociais e morais da Itália e da Europa de hoje. Justamente, portanto, vós dedicais grande atenção à família fundada no matrimónio, para promover uma pastoral adequada aos desafios que ela hoje deve enfrentar, para encorajar o afirmar-se de uma cultura favorável, e não hostil, à família e à vida, assim como para pedir às instituições públicas uma política coerente e orgânica que reconheça à família aquele papel central que ela desempenha na sociedade, em particular para a geração e educação dos filhos: a Itália tem grande e urgente necessidade de uma política como esta. Deve ser forte e constante igualmente o nosso compromisso pela dignidade e a tutela da vida humana em cada momento e condição, desde a concepção e a fase embrionária até às situações de doença, de sofrimento e à morte natural. Também não podemos fechar os olhos e reter a voz perante as pobrezas, as dificuldades e as injustiças sociais que afligem grande parte da humanidade e que exigem o generoso compromisso de todos, um compromisso que se alargue também às pessoas que, mesmo que sejam desconhecidas, contudo se encontram em necessidade. Naturalmente, a disponibilidade para se mover em sua ajuda deve manifestar-se no respeito das leis, que garantam o andamento organizado da vida social quer no âmbito de um Estado quer em relação aos imigrantes no mesmo.
(Bento XVI, Discurso na Conferência Episcopal italiana, 29 de maio de 2008.)

PERGUNTAS PARA A REFLEXÃO PESSOAL E EM GRUPO:

" Estou ciente da urgência educativa atual e da crise da fé?
" Quais formas e experiências de evangelização estão se revelando significativas e eficazes?
" Qual papel e acompanhamento a família ocupa na obra educativa e de evangelização das novas gerações?
" Maria Auxiliadora está presente nos nossos caminhos de fé e na obra educativa como mãe, mestra e guia?

1
0- DEVOÇÃO POPULAR E DOUTRINA INTEGRAL
POTENTES MEIOS DE EVANGELIZAÇÃO


PALAVRA DE DEUS

Eu te conjuro em presença de Deus e de Jesus Cristo que há de julgar os vivos e os mortos, por sua Aparição e por seu reino: prega a Palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda a paciência e empenho de instruir. Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelos pruridos de escutar novidades , ajuntarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas. Tu, porém, sê prudente em tudo, paciente nos sofrimentos, cumpre a missão de pregador do Evangelho, consagra-te ao teu ministério.( 2Tm. 4, 1-5)

MAGISTÉRIO DE BENTO XVI

1. VALOR E PROMOÇÃO DA DEVOÇÃO POPULAR
Não faltam também outras preocupações nas vossas canseiras pastorais, pois a fé plantada na terra boliviana precisa de ser sempre alimentada e fortalecida, sobretudo quando se percebem sinais de uma certa debilitação e da vida cristã por factores de vários tipos, uma alastrada incoerência entre a fé professada e os modelos de vida pessoal e social, ou uma formação superficial que deixa os baptizados expostos à influência de promessas deslumbrantes mas vazias. Para enfrentar estes desafios, a Igreja na Bolívia conta com um meio poderoso, como a devoção popular, esse precioso tesouro acumulado durante séculos graças ao trabalho de missionários audaciosos e mantido com profunda fidelidade por gerações nas famílias bolivianas. Trata-se de um dom que deve ser certamente conservado e promovido hoje, como sei que está a ser feito com esmero e dedicação, mas isso exige um esforço constante para que o valor dos sinais atinja o fundo do coração, esteja sempre iluminado pela Palavra de Deus e se transforme em convicções firmes de fé, consolidada pelos sacramentos e pela fidelidade aos valores morais. De facto, é necessário cultivar uma fé madura e "uma firme esperança para viver de modo responsável e jubilosamente a fé e irradiá-la assim no próprio ambiente" (Discurso na sessão inaugural dos trabalhos da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, Aparecida, 13/5/2007).

2. EVANGELIZAÇÃO E CATEQUESE PARA UMA INTEGRAL E SÉRIA FORMAÇÃO CRISTÃ
Para alcançar esta finalidade é necessária uma catequese sistemática, generalizada e penetrante, que ensine clara e integralmente a fé católica... De facto, um ensinamento parcial ou incompleto da mensagem evangélica não faz parte da missão própria da Igreja nem pode ser fecundo. Também uma educação básica de qualidade, que inclua a dimensão espiritual e religiosa da pessoa, contribui poderosamente para lançar bases firmes para o crescimento da fé. A Igreja na Bolívia possui numerosas instituições educativas, algumas de grande prestígio, que devem continuar a contar com a atenção dos seus Pastores para que mantenham a sua identidade e nela sejam respeitadas. Contudo, não se deve esquecer que "todos os cristãos, uma vez que se tornaram novas criaturas mediante a regeneração pela água e pelo Espírito Santo e se chamam filhos de Deus, têm direito à educação cristã" (Gravissimum educationis, 2)… Na recente Assembleia do Sínodo dos Bispos foi ressaltado precisamente que "a tarefa prioritária da Igreja, no início deste novo milénio, consiste antes de tudo em alimentar-se da Palavra de Deus, para tornar eficaz o compromisso da nova evangelização, o anúncio no nosso tempo" (Homilia, missa conclusiva, 26/10/2008). Recomendo-vos portanto vivamente que nas homilias, catequeses e celebrações nas paróquias e em tantas pequenas comunidades dispersas, mas com as suas significativas capelas, como se vê nas vossas terras, a proclamação fiel, a escuta e a meditação da Escritura estejam sempre em primeiro plano, pois nisto o povo de Deus encontra a sua razão de ser, a sua vocação e a sua identidade.

3. TESTEMUNHO DA CARIDADE E SERVIÇO AOS IRMÃOS
Da escuta dócil da Palavra divina nasce o amor ao próximo e, com ele, o serviço abnegado aos irmãos (cf. ibid.)... A comunidade eclesial deu provas de ter, como o bom Samaritano, um grande "coração que vê" o irmão em dificuldade e, através de numerosas obras e projectos, o socorre com solicitude. Sabe que "o amor, na sua pureza e gratuidade, é o melhor testemunho do Deus no qual cremos e que nos estimula a amar" (Deus caritas est, 31). Neste sentido é, por assim dizer, também um "coração que fala", que traz em si mesmo a Palavra que habita no fundo do seu ser e à qual não pode renunciar mesmo se por vezes deve permanecer em silêncio. Deste modo, se a fraternidade com os irmãos mais necessitados nos torna discípulos privilegiados do Mestre, a especial entrega e preocupação por eles converte-nos em missionários do Amor.
(Bento XVI, aos Bispos da Bolívia em 10 de novembro de 2008.)

PERGUNTAS PARA A REFLEXÃO PESSOAL E EM GRUPO:

" Há coerência entre a fé professada e os modelos de vida pessoais e sociais?
" As práticas e as tradições ligadas à piedade popular são orientadas e harmonizadas segundo a fé professada, celebrada e vivida?
" Cuidamos da evangelização e da formação cristãs nos vários ambientes de vida?
" A devoção à Maria leva à compreensão e à experiência do mistério de Cristo


             INFO ADMA   -   INFO ADMA   -   INFO ADMA   -   INFO ADMA    -   INFO ADMA  

ADMA PRIMARIA Torino-Valdocco:

ADMA|Santuario Basilica di Maria Ausiliatrice-Via Maria Ausiliatrice 32 - 10152 TORINO-VALDOCCO, ITALIA
Tel.: 0039-011-5224216 / Fax.: 0039-011-52224213 -
E-mail: adma.torino@tiscali.it 
                   Presidente ADMA:
                   Sig.ra CHIOSSO GIUSEPPINA ((encargo até 2010)) - E-mail: giusy.chiosso@yahoo.it
Animador Espiritual da ADMA:
Don Pier Luigi CAMERONI - Istituto Salesiano Via S. G. Bosco 1 - 25075 NAVE - BS
TEL. 030-2530262 - FAX 030 - 2533190 / CELL. 3401452349 -
E-mail: pcameroni@salesiani.it
                              Sitio Internet: www.donbosco-torino.it/port/adma

              HOME PAGE |  HOME PAGE-PORT  | ARCHIVIO RIVISTA MARIA AUS. |  ADMA-ON-LINE INFO VALDOCCO

  Visita Nr.